30/09/2009

A liberdade não passou por aqui ou o percurso kafkiano na Tapada

Aqui se volta, mais uma vez à Tapada da Ajuda! Uma pérola de ruralidade da cidade de Lisboa votada ao abandono pelos responsáveis (ISA) e pelos Lisboetas.

Muitos denunciaram a sua decadência (por exemplo aqui, aqui e aqui), eu continuo a insistir em frequentá-la, a olhar para os zambujeiros à esquerda quando há estufas partidas à direita, para as perdizes à direita quando há lixeiras a céu aberto à esquerda. Gostava que mais gente fosse à Tapada, acho que o melhor para a sua conservação será que mais pessoas a conheçam e utilizem.  É possível que os  responsáveis pela Tapada da Ajuda também pensem assim, por isso há uma vários percursos temáticos organizados cujo programa se pode consultar aqui. Entre eles não está anunciado o percurso que fiz no passado Domingo: o Percurso Kafkiano!

Percurso Kafkiano na Tapada da Ajuda

Domingo de sol! Na Tapada abandonada circulam só carros que trazem as crianças da festa de anos nos campos de futebol. Encontramos apenas um casal com um bebé a pé, sequiosos, à procura de uma bica. Passamos o interessante campo de demonstração de cultura energéticas, passamos as estufas partidas, edifícios em cacos e o lixo, ignoramo-los, queremos chegar ao meu sobreiro, bem lá no cimo. Custa-me muito mais subi-lo agora do que antes, mas uma vez em cima do meu sobreiro posso ler e dormir a sesta como no paraíso (se eles nos vissem, levávamos logo um tiro!).  Descemos e continuamos a deambular. Enquanto avaliamos com satisfação a maturação das azeitonas (ah, as crianças deviam era ver isto) no olival à beira da Alameda das Oliveiras, um carro com duas personagens não identificadas (suspeitámos depois pertencerem à PIDE-DGS) pára na estrada. Um dos sujeitos lança:

- O que é que andam aqui a fazer?

- Desculpe?

- O que é que andam aqui a fazer?

- A passear…

- Passear só no alcatrão!

- Como?! Deve estar a brincar!

- Sim! E não pode tirar fotografias!

- Mas eu nem sequer tenho máquina!

- Não interessa, só estou a dizer que não pode! Fotografias só com autorização e passear só no alcatrão!

Será por causa das fotografias mostradas aqui e aqui? Do alcatrão, especialmente de dentro de um carro a 50 Km/h, não se vê tão bem a incompetência e puro descuido, responsáveis pela decandência deste lugar. À Tapada da Ajuda, lugar irreal e mágico de Lisboa, o 25 de Abril ainda não chegou.

30/09/2009

Desta vez tinha a máquina!

rolas

Rolas-do-mar confraternizam no Tejo, junto à ponte.

09/09/2009

Campanha em defesa da Capela de Santo Amaro

escadaria

O blog SOS Lisboa iniciou uma campanha em defesa da Capela de Santo Amaro instigando os responsáveis por este edifício classificado como monumento nacional a tomarem de facto conta dele:

Ao Patriarcado de Lisboa,
Exmos. Senhores

Vimos por este meio chamar a atenção de Vªs. Exªs. para a degradação do espaço exterior da Capela de Santo Amaro, a qual se deve em parte à presença de um grupo de escuteiros no local.

Tratando-se de um monumento nacional, o caso encontra-se amplamente noticiado:
http://lisboasos.blogspot.com/2009/09/capela-de-santo-amaro-uma-causa-lisboa.html
http://cidadanialx.blogspot.com/2009/09/ninguem-tem-vergonha-do-estado-que.html
http://blasfemias.net/2009/09/08/coisas-que-nao-se-entendem/

Nesse sentido, como as obras de limpeza não parecem ser muito onerosas, e dada a natureza do edifício, sugerimos respeitosamente um contacto com o IPPAR, actual IGESPAR/Ministério da Cultura, ou com um mecenas (Pestana Palace Hotel) para limpeza dos grafitos na fachada.

Com os melhores cumprimentos,
Lisboa SOS

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Se quiser participar nesta campanha, escreva também para
Endereço: Mosteiro de S. Vicente de Fora, Campo de Sta. Clara, 1100-472 LISBOA. Tel. 218810500; http://www.patriarcado-lisboa.pt/.

Secretária: Maria Manuela B. L. Almeida Santos


01/09/2009

Mourisco

av ceutaFotografia de Eduardo Portugal [1950] in Arquivo Municipal.

“E num dia soalhento de Agosto, a nova, a boa nova, nova para a maioria sem significado, murmura-se, grita-se, ecoa na Lisboa joanina, ainda mal refeita de uma dezena de anos de guerras e de surpresas. Ceuta era nossa! E mal sonharia certamente qualquer descendente humilde dos mouros forros do tempo da Conquista ao amanhar a terra argilosa da Horta Navia, ao afeiçoar as almoínhas da Pimenteira ou a amparar as margens esboroadas do rego de Alcântara que por ali, nessa terra que ele e antes dele vária gerações transfugas da Lixbuna mourisca arroteavam e lavravam, Ceuta, porta da Europa e limiar de África se haveria de estender, avenida nova da cidade novíssima.”

Durval Pires de Lima, O Ultramar na Toponímia de Lisboa in Revista Municipal nº41, 1949.

16/08/2009

Aves de Lisboa

maçarico

rola-do-mar

A tentar identificar as aves que no outro dia vi, lá baixo no paredão do Tejo, encontrei este site que entra directo para a lista de preferidos: Aves de Lisboa.

As que vi eram um maçarico-das-rochas e várias rolas-do-mar!

13/08/2009

CAMPU

Ontem fui ao CAMPU. A nossa pequena volta por parte da encosta do vale de Alcântara dará origem a muitos posts, mas aqui deixo algumas fotos tiradas na Estrada do Loureiro e na Rua da Costa.

estrada loureiro

Estrada do Loureiro

miradouro

12/08/2009

A vacaria da minha infância

Quando era míuda (há cerca de duas décadas) também ia, com um recipiente de 2 litros na mão, buscar leite à vacaria, mas eu morava no campo, não em Alcântara. Dez anos depois, estava a estudar no ISA, alegrei-me por a Tapada ser o campo no meio da cidade, mas não fazia ideia que outros miúdos tinham ido buscar leite àquela vacaria onde me exasperava o professor de zootecnia, e onde agora só havia o quadro e as nossas cadeiras.

“A Tapada da Ajuda foi para mim jardim particular, quintal da casa, herdade da tia, monte no Alentejo, lugar exótico, jardim do paraíso, parque de merendas e de diversões. Morava mesmo à entrada de uma das portas, a de Alcântara junto à estrada do Alvito, tinha cartão de sócio e aos fins de semana levávamos merenda para passar o dia em brincadeiras refrescadas com capilé entre campos de trigo que secavam ao sol de Agosto no terreno grande. A Tapada da Agronomia não era nenhum mistério, conhecia-a de olhos fechados, aliás como todos os miúdos da minha rua que tinham de ir buscar leite fresco às vacarias que ficavam junto do Pavilhão de Exposições.”

Ler o texto de quem se exaspera com o abandono da Tapada da Ajuda no SOS Lisboa.

10/08/2009

Vilas e pátios operários (3) – Morar num palácio

Fiúza

A fachada Oeste do Pátio Fiúza

Há, desde o séc XVII,  um palácio em Alcântara que foi pertença dos bisavós e depois do próprio Marquês do Pombal, antes de ser de um tal desembargador Fiúza. Nele morou também o rei D. Pedro II, durante as obras no Paço Real de Alcântara (ai, que deste ainda não se falou aqui! Fica para breve!).

Com a industrialização, palácio e quinta foram divididos e utilizados para habitação de operários. O Palácio encontrava-se “organicamente integrado na malha urbana circundante. Depois da construção dos acessos à ponte, a zona foi esventrada perdendo o edifício a sua integração urbanística.” Neste antes e depois pode ver-se o início da Travessa do Fíuza, na Rua de Alcântara, que desaguava à porta do palácio, depois tornado pátio operário.

Como este espaço pode ser dividido para habitação de muitos só se percebe com uma visita (que o revela completamente renovado,  imaculadamente limpo e bem tratado): é um labirinto misterioso de escadinhas que sobem, desaguam em pequenos pátios e logo voltam a descer, ao longo do qual se descobrem portas  que se adivinham de habitações. É verdadeiramente único!

pormenor escadaria

fiúza 2

girassóis no Pátio

05/08/2009

Eu gosto é do Verão

a vista da Artisani

Com o parque automóvel reduzido a 1/3, oferta cultural difícil de acompanhar e as quase diárias inaugurações pré-eleitorais de jardins e afins, eu gosto é do Verão lisboeta!

Das Docas eu não gosto especialmente, a não ser de passar pela Häagen-Dazs para um geladito, mas agora há muito melhor! Dos gelados artesanais da portuguesa Artisani fiquei fã do limão com manjericão!

04/08/2009

Viva o Tejo!

beira Tejo