Quando era míuda (há cerca de duas décadas) também ia, com um recipiente de 2 litros na mão, buscar leite à vacaria, mas eu morava no campo, não em Alcântara. Dez anos depois, estava a estudar no ISA, alegrei-me por a Tapada ser o campo no meio da cidade, mas não fazia ideia que outros miúdos tinham ido buscar leite àquela vacaria onde me exasperava o professor de zootecnia, e onde agora só havia o quadro e as nossas cadeiras.
“A Tapada da Ajuda foi para mim jardim particular, quintal da casa, herdade da tia, monte no Alentejo, lugar exótico, jardim do paraíso, parque de merendas e de diversões. Morava mesmo à entrada de uma das portas, a de Alcântara junto à estrada do Alvito, tinha cartão de sócio e aos fins de semana levávamos merenda para passar o dia em brincadeiras refrescadas com capilé entre campos de trigo que secavam ao sol de Agosto no terreno grande. A Tapada da Agronomia não era nenhum mistério, conhecia-a de olhos fechados, aliás como todos os miúdos da minha rua que tinham de ir buscar leite fresco às vacarias que ficavam junto do Pavilhão de Exposições.”
Ler o texto de quem se exaspera com o abandono da Tapada da Ajuda no SOS Lisboa.



